O que acontece entre sentir uma emoção e reagir.

Uma emoção pode surgir em segundos. A resposta que damos a essa emoção, no entanto, pode ser influenciada pela forma como aprendemos a reconhecê-la, compreendê-la e criar espaço antes de agir.

Reflexão MindBond Sentir é imediato. Reagir não precisa de ser automático.

Há momentos em que uma emoção parece tomar conta de tudo muito depressa. Uma frase, um tom de voz, uma mensagem ou um silêncio podem desencadear uma reação quase instantânea.

Antes de termos tempo para perceber exatamente o que estamos a sentir, podemos já estar a responder, a afastar-nos, a justificar-nos ou a dizer algo de que depois nos arrependemos.

Isto não significa que as emoções sejam um problema. Significa apenas que existe uma diferença importante entre sentir uma emoção e escolher aquilo que fazemos com ela.

Uma emoção traz informação antes de trazer uma resposta.

As emoções ajudam-nos a perceber que alguma coisa é importante. Podem sinalizar ameaça, perda, necessidade de proteção, proximidade, frustração ou insegurança.

O problema surge quando confundimos a informação da emoção com uma ordem imediata para agir.

Uma emoção pode dizer-nos que algo importa. Não precisa de decidir sozinha aquilo que fazemos a seguir.

Quando conseguimos reconhecer esta diferença, criamos uma pequena margem de escolha.

E essa margem pode ser suficiente para mudar completamente uma resposta.

Porque reagimos tão depressa quando algo nos toca?

Muitas respostas emocionais são influenciadas por experiências anteriores, hábitos e expectativas que aprendemos ao longo do tempo.

Às vezes, uma situação atual ativa rapidamente uma interpretação: “não sou importante”, “estão a rejeitar-me”, “não me respeitam” ou “preciso de me defender”.

Essa interpretação pode acontecer tão depressa que parece ser a própria realidade.

O primeiro significado nem sempre é o único possível.

Quando uma emoção é intensa, é fácil assumir que já compreendemos completamente aquilo que aconteceu.

Mas muitas vezes existe informação que ainda não temos: contexto, intenção, estado emocional da outra pessoa ou até aquilo que nós próprios precisamos.

Criar espaço permite-nos investigar antes de concluir.

Criar espaço não significa ignorar aquilo que sentimos.

Fazer uma pausa não significa reprimir a emoção ou fingir que está tudo bem.

Significa apenas evitar que a primeira reação seja automaticamente a resposta final.

Em vez de responder imediatamente, podemos tentar reconhecer:

“Estou irritado. Antes de responder, quero perceber o que está por trás desta irritação.”

Talvez exista uma necessidade de respeito. Talvez exista medo de perder proximidade. Talvez exista cansaço. Talvez exista apenas uma interpretação que precisa de ser confirmada.

Quando damos nome ao que sentimos, a emoção deixa de ser apenas uma força que nos empurra e começa a tornar-se informação que podemos observar.

Uma pequena prática entre sentir e responder.

O objetivo não é eliminar reações emocionais. É aumentar gradualmente a nossa capacidade de escolher aquilo que fazemos depois delas.

Exercício MindBond

Cria dez segundos de espaço

Quando sentires uma emoção intensa, experimenta estas quatro perguntas antes de responder.

01

O que estou a sentir agora?

02

Que interpretação estou a fazer desta situação?

03

O que preciso de compreender antes de agir?

04

Que resposta representa melhor a forma como quero agir?

Em algumas situações, dez segundos não chegam. Pode ser necessário pedir tempo, afastar-se temporariamente ou retomar a conversa mais tarde.

Isso também pode ser uma escolha consciente.

Entre sentir e agir pode existir escolha.

Não conseguimos controlar todas as emoções que surgem. Mas podemos desenvolver maior consciência sobre aquilo que fazemos quando elas aparecem. Com prática, esse pequeno espaço entre sentir e responder pode tornar-se um dos lugares mais importantes para construir relações mais conscientes.

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Da emoção para a escolha

Sentir faz parte. Aprender a escolher a resposta também.

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